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Opinião

2019-06-12 14:40

Cidadãos e políticos: Um fosso absurdo e perigoso

Mário Abrantes“Portugal não tem partidos de direita, de esquerda, de nada, tem um bando de salafrários que se reúnem pra roubar juntos”. É frequente encontrar esta citação, atribuída ao escritor José Saramago, seja nas redes sociais, seja nas manifestações dos lesados do BES, ou nas bocas de muita gente.

Ora como foi denunciado este mês pelo insuspeito Polígrafo da rede SAPO, isto é falso. A frase deveria referir-se ao Brasil e pertence a um brasileiro Diogo Mainardi, que até escreve o “pra” em vez do “para”, coisa que dificilmente Saramago faria…

Mas a questão é mais profunda. Se Saramago alguma vez tivesse dito isto, estaria a ser profundamente demagógico e desonesto a começar por si mesmo enquanto ativo militante de esquerda, inclusivamente com vínculo partidário. Quem utiliza esta frase em seu nome, por ignorância ou malvadez, pretende com isso proclamar levianamente ou com objetivos inconfessados, sempre em tom depreciativo, os seus derivados mais comuns: “Os partidos são todos iguais” ou “os políticos são todos iguais”. Desta forma, não poucas vezes intencionalmente, se vai cavando um fosso absurdo e perigoso entre políticos e partidos para um lado, e cidadãos (pressupostamente) sem partido e sem motivações ou interesses políticos, para outro…

  • Política Nacional;

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2019-06-05 11:44

Um “novo modelo económico” e um mundo mais perigoso

Mário Abrantes- No final do passado mês assistimos à divulgação pública de um manifesto relativo à necessidade de implantação de um “novo modelo económico para os Açores”, subscrito pela Câmara de Comércio, a Federação Agrícola e a UGT. Tratou-se no essencial da reedição de uma análise e de um conjunto de propostas genéricas já apresentados no ano transato pelas mesmas entidades, insistindo em importar para os Açores o que não passa afinal do modelo ultraliberal que tem vindo a ser praticado pelas forças políticas e económicas dominantes em diversos países da União Europeia e que teve expressão exemplar em Portugal durante o governo da coligação do PSD com o CDS, afastado em 2015.

Sobre este manifesto o jornalista José Gabriel Ávila teceu várias considerações, na edição de um de junho deste mesmo jornal, com as quais devo dizer que estou fundamentalmente de acordo. Efetivamente num pequeno arquipélago ultra periférico, distante e repartido por 9 ilhas, existem particularidades e constrangimentos socioeconómicos permanentes que nunca poderão ser compensados em termos de reposição da igualdade, condições de vida e de mobilidade, de coesão e de justiça social, por modelos economicistas, de liberalização de setores estratégicos como os transportes, energia ou outros, e pela diminuição do investimento e da dimensão da intervenção pública estatal, no nosso caso, por via do exercício da Autonomia política e administrativa.

  • Política Regional;
  • Política Internacional;
  • Política Nacional;

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2019-05-30 14:35

Sobre as europeias

Mário AbrantesA abstenção também é um voto. No caso das eleições do passado domingo não terá  sido forçosamente motivada apenas pelo alheamento ou o desinteresse do eleitor, mas terá sido também um exercício livre e consciente de cidadania que importa respeitar. Em 2014, sob a intromissão e a pressão austeritária, redutora e empobrecedora da troika, muitos eleitores eurocéticos optaram por engrossar a voz daqueles que no país maior oposição fizeram ao resgate da UE e do FMI: a CDU. Em 2019 muitos destes votos ficaram ou regressaram à abstenção fosse por abrandamento do seu euroceticismo ou pela errada suposição de que a CDU, por dar suporte parlamentar a um governo europeísta na República, teria baixado a bandeira da defesa dos interesses portugueses em Bruxelas e do criticismo relativo a esta Europa e aos seus tratados restritivos e bloqueadores da soberania nacional e do desenvolvimento.

  • Parlamento Europeu

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2017-02-01 10:05

E agora?

MAbrantes2Apesar das opiniões meritórias oriundas dos quatro cantos do planeta, apesar do prémio Nobel da Paz, apesar da apologia da defesa dos direitos humanos e de outros elevados objetivos proclamados pela administração Obama, as injustiças, as guerras, as desigualdades e os atentados ao ambiente em que essa administração se envolveu em todo o mundo e no seu próprio país nunca pararam de aumentar ao longo dos oito anos de mandato do ex-presidente dos EUA.
Agora os norte-americanos, através de um sistema eleitoral não muito dignificante para quem se acha campeão da democracia, escolheram para seu presidente um ostensivo e declarado defensor da violência, da livre posse de armas de fogo e da corrida armamentista, um apologista da segregação discricionária de povos, raças e países, um promotor de práticas de tortura sobre prisioneiros, um misógino e androcentrista indisfarçado, um aberto preconceituoso para com os emigrantes e as minorias, um construtor de muros da vergonha e um desalinhado com as preocupações ambientais.
Dada a influência dos EUA no rumo dos acontecimentos mundiais, nomeadamente no âmbito da paz e segurança externas, e tendo em conta que as coisas já antes não estavam a caminhar bem nestes aspetos, agora com Donald Trump estamos sem dúvida perante um agravamento muito substancial da tensão internacional, para além das tensões sociais internas no seu próprio país. A interrupção do status quo nas relações com a China e com o Irão, o impedimento discricionário da entrada de muçulmanos no país, o reforçado protecionismo à beligerância e ao domínio ilegítimo de Israel sobre a Palestina, a rotura prepotente das relações com o México por causa do muro fronteiriço, são já disso exemplos concretos, que o positivo (embora não garantido) desanuviamento com a Rússia e a Síria não chega para encobrir.

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2016-11-05 20:58

Os maus e os bons...

 

Aleppo e Mossul são duas cidades do Oriente Médio repetidamente presentes na atualidade informativa que nos tem entrado casas adentro. Por isso mesmo julgo merecerem alguns minutos de reflexão da parte daqueles que, como eu, procuram estar atentos ao que se passa no mundo, particularmente no âmbito de preocupações comuns e naturais a qualquer ser humano como são as questões da paz e da segurança internacional.
Assim, a fazer fé na informação que nos chega, em Aleppo, na Síria, viver-se-ia uma imensa tragédia onde um poder déspota e belicista, apoiado pelos bombardeamentos aéreos dos seus aliados igualmente déspotas e belicistas, massacra quotidianamente populações indefesas, nas suas casas, hospitais e escolas da zona leste da cidade, visando expulsar definitivamente as forças “rebeldes anti-governamentais” que nela se encontram acantonadas e que se opõem e lutam contra o poder déspota que os oprime.
Em contraste, fazendo fé na mesma informação, sobre Mossul, no Iraque, prossegue entretanto uma ofensiva heróica do exército dum governo legítimo, apoiado por bombardeamentos da aviação aliada, visando reconquistar aquela cidade que está ocupada pelos terroristas do “Estado Islâmico”, os quais, para resistir a essa ofensiva, diariamente massacram a população civil e a utilizam criminosamente como escudos humanos.
Entretanto, objetivamente, o que se passa são duas situações afinal muito semelhantes: Os governos legítimos (e reconhecidos à luz do direito internacional) da Síria e do Iraque, apoiados pelos bombardeamentos das aviações aliadas, respetivamente russa e norte-americana, procuram reconquistar duas cidades nos seus territórios, dominadas parcialmente no caso de Aleppo e totalmente no caso de Mossul por forças reconhecidas como ligadas ao terrorismo internacional: a Frente Al-Nusra (filial da Al-Qaeda) em Aleppo, e o chamado “Estado Islâmico”, ISIS ou DAESH em Mossul. Em ambas as cidades as forças terroristas impedem as populações civis de sair, usando-as como escudos humanos contra as ofensivas governamentais em curso, e massacram-nas quando elas resistem ou tentam fugir. Em ambas as cidades e nos seus arredores, dadas as circunstâncias, os bombardeamentos das aviações aliadas têm provocado e continuarão infelizmente a provocar, enquanto durar a ofensiva, vítimas entre essas populações.
Sendo assim, em prol da defesa da paz e segurança internacionais, bem como do respeito pelos princípios da Carta das Nações Unidas e da legalidade internacional, as duas situações deveriam naturalmente ser reconhecidas de forma equivalente, independentemente de se tratar do governo sírio ou iraquiano, dos aliados serem a Rússia ou a coligação encabeçada pelos EUA.
Mas como sabemos não é isso que se passa. A informação que nos chega trata uns como “maus” e outros como “bons”, retransmitindo apenas as notícias veiculadas pelos “bons”, e pelos EUA em particular. Aos “maus” - os governos sírio e russo - ao invés de lhes reconhecer o empenho no combate ao terrorismo internacional em território sírio (como os “bons” fazem no território iraquiano) essa informação ensaia antes classificá-los como criminosos de guerra, lançando sobre eles a suspeita constante de atentados deliberados à população civil, apenas atestados no entanto por entidades de imparcialidade duvidosa como o “observatório sírio de direitos humanos”, sedeado no Reino Unido, ou os “capacetes brancos” ligados às forças terroristas de Aleppo…
E isto é para todos preocupante. Quando ao combate contra o terrorismo internacional se sobrepõem acusações e ameaças entre as potências militares que participam nesse combate, não é de luta pela paz e pela segurança que estamos a falar, é de uma perigosa escalada belicista a nível mundial…

MAbrantes2Aleppo e Mossul são duas cidades do Oriente Médio repetidamente presentes na atualidade informativa que nos tem entrado casas adentro. Por isso mesmo julgo merecerem alguns minutos de reflexão da parte daqueles que, como eu, procuram estar atentos ao que se passa no mundo, particularmente no âmbito de preocupações comuns e naturais a qualquer ser humano como são as questões da paz e da segurança internacional.

 

Assim, a fazer fé na informação que nos chega, em Aleppo, na Síria, viver-se-ia uma imensa tragédia onde um poder déspota e belicista, apoiado pelos bombardeamentos aéreos dos seus aliados igualmente déspotas e belicistas, massacra quotidianamente populações indefesas, nas suas casas, hospitais e escolas da zona leste da cidade, visando expulsar definitivamente as forças “rebeldes anti-governamentais” que nela se encontram acantonadas e que se opõem e lutam contra o poder déspota que os oprime.
Em contraste, fazendo fé na mesma informação, sobre Mossul, no Iraque, prossegue entretanto uma ofensiva heróica do exército dum governo legítimo, apoiado por bombardeamentos da aviação aliada, visando reconquistar aquela cidade que está ocupada pelos terroristas do “Estado Islâmico”, os quais, para resistir a essa ofensiva, diariamente massacram a população civil e a utilizam criminosamente como escudos humanos.
Entretanto, objetivamente, o que se passa são duas situações afinal muito semelhantes: Os governos legítimos (e reconhecidos à luz do direito internacional) da Síria e do Iraque, apoiados pelos bombardeamentos das aviações aliadas, respetivamente russa e norte-americana, procuram reconquistar duas cidades nos seus territórios, dominadas parcialmente no caso de Aleppo e totalmente no caso de Mossul por forças reconhecidas como ligadas ao terrorismo internacional: a Frente Al-Nusra (filial da Al-Qaeda) em Aleppo, e o chamado “Estado Islâmico”, ISIS ou DAESH em Mossul. Em ambas as cidades as forças terroristas impedem as populações civis de sair, usando-as como escudos humanos contra as ofensivas governamentais em curso, e massacram-nas quando elas resistem ou tentam fugir. Em ambas as cidades e nos seus arredores, dadas as circunstâncias, os bombardeamentos das aviações aliadas têm provocado e continuarão infelizmente a provocar, enquanto durar a ofensiva, vítimas entre essas populações.
Sendo assim, em prol da defesa da paz e segurança internacionais, bem como do respeito pelos princípios da Carta das Nações Unidas e da legalidade internacional, as duas situações deveriam naturalmente ser reconhecidas de forma equivalente, independentemente de se tratar do governo sírio ou iraquiano, dos aliados serem a Rússia ou a coligação encabeçada pelos EUA.
Mas como sabemos não é isso que se passa. A informação que nos chega trata uns como “maus” e outros como “bons”, retransmitindo apenas as notícias veiculadas pelos “bons”, e pelos EUA em particular. Aos “maus” - os governos sírio e russo - ao invés de lhes reconhecer o empenho no combate ao terrorismo internacional em território sírio (como os “bons” fazem no território iraquiano) essa informação ensaia antes classificá-los como criminosos de guerra, lançando sobre eles a suspeita constante de atentados deliberados à população civil, apenas atestados no entanto por entidades de imparcialidade duvidosa como o “observatório sírio de direitos humanos”, sedeado no Reino Unido, ou os “capacetes brancos” ligados às forças terroristas de Aleppo…
E isto é para todos preocupante. Quando ao combate contra o terrorismo internacional se sobrepõem acusações e ameaças entre as potências militares que participam nesse combate, não é de luta pela paz e pela segurança que estamos a falar, é de uma perigosa escalada belicista a nível mundial…
Artigo de opinião de Mário Abrantes

 

 

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